José Sobral de Almada Negreiros, poeta e pintor modernista, nasceu em São Tomé em 7/4/1893 e faleceu em Lisboa em 1970. Pertenceu ao grupo de "Orpheu", convivendo de perto com Fernando Pessoa. Obras: Nome de Guerra (romance, 1938), Manifesto Anti-Dantas, O Moinho (1912 - teatro), A Engomadeira (1917 - novela), A Cena do Ódio (poema publicado na revista Portugal Futurista em 1917), Poesia, A Invenção do Dia Claro (1921), Antes de Começar (teatro), Os Outros (1923 - teatro), S. O. S. (1929 - teatro), Deseja-se mulher (1959 - teatro).
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A Cena do Ódio (13 K.)
A CENA DO ÓDIO
DE
JOSÉ DE ALMADA-NEGREIROS
POETA SENSACIONISTA
E
NARCISO DO EGIPTO
(extracto)
Ergo-Me Pederasta apupado d''imbecis,
divinizo-Me Meretriz, ex-libris do Peccado,
e odeio tudo o que não Me é por Me rirem o Eu!
satanizo-me tara na vara de Moysés!
O castigo das serpentes é-me riso nos dentes,
Inferno a arder o Meu cantar!
Sou vermelho-Niagára dos sexos escancarados nos chicotes dos cossacos!
Sou Pa-demonio-Trifauce enfermiço de Gula!
Sou genio de Zarathustra em Taças de Maré-Alta!
Sou Raiva de Medusa em Damnação do Sol!
Ladram-me a Vida por vivê-La
e só me deram Uma!
Hão-de lati-La por sina!
agora quero vivê-La!
Hei-de Poeta cantá-La em gala sonora e dina!
Hei-de Glória desannuviá-la!
Hei-de Guindaste icá-la esfinge
da Valla pedestre onde Me querem rir!
Hei-de trovão-clarim levá-La Luz
ás Almas-Noites do Jardim das Lagrymas!
Hei-de bombo rufá-La pompa de Pompeia
nos Funeraes de Mim!
Hei-de Alfange-mahoma
cantar Sodoma na Voz de Nero!
Hei-de ser Fuas sem Virgem do Milagre,
hei-de ser galope ...
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