Haroldo; Augusto e Décio
A certeza da influência
Décio Pignatari, Haroldo e Augusto de Campos avaliam os 40 anos do
movimento
A Folha de São Paulo realizou entrevistas por escrito com os três
principais representantes do concretismo, Décio Pignatari, Haroldo de
Campos e Augusto de Campos. Nas respostas — as perguntas foram as mesmas
para todos —, eles conceituam o movimento, comentam — e criticam — as
avaliações que receberam e analisam a poesia brasileira atual.
Folha — Qual a mais sucinta definição da poesia concreta? O que faz um
poema ser concreto e não, por exemplo, expressionista, dadaísta,
surrealista etc? Um poema concreto "stricto sensu" é necessariamente
visual?
Décio Pignatari — Em 1907, Picasso conclui o quadro sobre aquelas
senhoritas da rua Avignon, em Barcelona. Imagine-se — 40 anos depois —
alguém perguntando: "M. Picasso, que é cubismo?". Uma das respostas
possíveis, dentre as bem-educadas, poderia ser: "Connais pas". Ou então:
"Pergunte ao Raynal (Maurice). Ou ao Read (Herbert). Ou (daqui a alguns
anos), ao Greenberg (Clement)". Aos interessados de verdade (que não
constituem multidão), lembro que há mais de três décadas pode ser
encontrado na praça o volume ``Teoria da Poesia Concreta'''' (Brasiliense),
devidamente atualizado, de nossa autoria. Quanto à segunda pergunta dentro
da pergunta: por que Brasília não é Nova York? Quanto à terceira: a ênfase
inicial no visual deveu-se à idéia de assinalar a ruptura com a
unidade-padrão tradicional da poesia, o verso. Visual básico: ``lettering &
layout''''. Acrescentem-se: voz, som, cor, movimento, materialidade real
(objetos, esculturas), materialidade virtual (holografia), elementos
não-verbais (icônicos).
Haroldo de Campos — A melhor e mais sintética definição de "poesia
concreta" (correspondente à fase "geométrica" ou, como se pode reconhecer a
posteriori, "minimalista" do movimento, aquela que traduz na prática as
propostas do plano piloto de ...
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